ABRIR A BOCA DO SILÊNCIO


Existem palavras que a gente guarda por tanto tempo que começam a criar raiz por dentro. Ficam ali, entre o peito e a garganta, esperando espaço. 

Às vezes, não é que falte o que dizer, falta coragem de dizer o que já pulsa. Escrever é o primeiro gesto de resgate da própria voz. Uma voz que não precisa gritar, performar ou se justificar, só existir. E isso já é muito. Escrever realmente não é fácil. Pelo menos, não para todo mundo, mas isso não quer dizer que não seja possível desenvolver essa habilidade e se tornar um profissional, se quiser. 

Escrever, antes de técnica, exige coragem, escuta, observação, rotina, hábito de leitura e presença. É um gesto profundo de atravessar a si mesma com palavras. 

E sim, antes que pergunte, escrever dói em mim também, porque rasga camadas antigas, porque transforma o que era silêncio em matéria viva. Temos que lidar com nossas gavetas para sair da primeira linha, da primeira página, do primeiro capítulo, do primeiro livro... Isso é pra sempre, até o fim, porque as nossas gavetas não acabam. 

Nós sempre estaremos superando algo em nosso processo de desenvolvimento. 

Em grande parte das vezes o nosso maior obstáculo é a mente, o nosso emocional. Mas, ainda assim, há algo que dói mais do que o esforço da escrita: é calar quando se tem tanto a dizer. É carregar memórias sufocadas, verdades que nunca encontraram nome. O silêncio forçado, o silêncio do medo, o silêncio da autonegação — esse adoece. 

Por isso este espaço existe: para lembrar que escrever pode ser difícil, mas também pode ser cura. Aqui, a palavra não precisa ser perfeita. Precisa ser verdadeira. É um lugar onde a voz encontra abrigo e a escrita vira caminho para se existir com mais inteireza. 

Se você sente que há algo querendo nascer em forma de palavra, mesmo que tremendo, mesmo que doído, comece. 

Sua voz importa. Suas histórias também. E escrever, mesmo com medo, é um jeito de continuar viva.