Falando em escrever, vamos para a prática?
O nosso primeiro exercício será para você escolher um caminho. Você pode escrever sobre algo que te paralisa ou sobre algo que motiva, mas siga direitinho a nossa "Receita Para Desengasgar".
INGREDIENTES :
- 1 punhado de palavras guardadas
- 1 medo bem tratado com carinho
- 1 caderno em branco (ou qualquer canto onde caiba você)
- Lembranças a gosto
- Um pouco de silêncio
- Coragem, mesmo que tímida
- e Tempo que não se apresse.
Agora vamos para o MODO DE PREPARO:
Comece fingindo que ninguém vai ler. Espalhe as palavras sobre a superfície da sua intimidade. Escreva como quem sussurra para o travesseiro. Sem se preocupar com ponto, vírgula ou destino.
Essa parte é só sua.
Misture o que dói com o que te move. Use uma colher de lembrança, uma pitada de raiva, ou aquele brilho que insiste. Escreva a partir do que pulsa — mesmo se for feio, frágil ou sem nome.
A verdade é o melhor fermento.
Crie um pequeno ritual. Pode ser acender uma vela, botar uma música, fechar a porta. O importante é avisar ao corpo: agora é hora de deixar sair.
Crie um ambiente onde você se escute. Mexa tudo com o corpo inteiro. Se o medo aparecer, não jogue fora: escreva sobre ele. Se a vergonha der as caras, ponha no papel também. Nada é desperdiçado quando vira palavra.
Deixe descansar. Não apague. Cubra com um pano de paciência e deixe repousar.
Não corrija agora. Não julgue.
Leia só depois, com olhos gentis de quem aprendeu a acolher, não com a rigidez de quem exige. Ao final.
RENDIMENTO: Textos imperfeitos, mas vivos. Sentimentos com nome. Alívio no peito. E uma voz que, aos poucos, aprende a existir fora do silêncio.