Escrever nem sempre acontece. E tudo bem.
Há dias em que a palavra foge, o corpo resiste, a mente cansa. Mas o que importa, mais do que escrever, é manter o gesto de tentar. Tentar como quem insiste em si. Tentar como quem respira fundo diante do silêncio e diz: “hoje eu volto a mim”.
O hábito de tentar é o que abre caminho para que um dia a escrita venha.
Ttímida, fragmentada, imperfeita, mas viva.
Não se trata de produzir bonito, nem de se obrigar a nada. Trata-se de manter um compromisso gentil com a própria voz. Trata-se de não abandonar a si mesma. Porque toda tentativa é uma fresta. Um chamado.
Quais sonhos você não realizou por medo de tentar?
Talvez o sonho ainda exista, perdido em algum lugar aí dentro do seu juízo. Sei que não é por falta de desejo. Alguém pode ter tentado te convencer de que não dava, de que não era pra você. E aí você se convenceu também. Só que o problema é que isso dói igual ao silêncio daquilo que não foi dito. Talvez doa um pouco mais, porque não é só o que a gente não viveu, é o que que ficou pendurado no quase. Aquilo que ficou perto, que era possível, mas foi engavetado cedo demais.
A verdade é que desistir de tentar também é uma forma de silenciar a própria esperança.
E, aos poucos, a gente vai se afastando de si, como quem esquece o próprio rosto. Mas e se ainda der tempo? E se for possível recomeçar de outro jeito, com mais gentileza, com mais verdade?
Talvez a pergunta não seja “qual sonho você não realizou?”, mas “qual parte de você ainda espera ser chamada de volta?”. Porque desistir, às vezes, é só pausa. E voltar a tentar pode ser um novo começo, mais maduro, mais fundo, mais seu.
No fim das contas, escrever ou não escrever, é quase isso. E tudo bem. Mas escutar o que em você pede palavra pode abrir novos caminhos — isso, sim, precisa virar hábito.